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Venezuela: Documentados 72 casos de tortura no primeiro semestre

A advogada venezuelana, defensora dos Direitos Humanos, Tamara Suju, denunciou hoje que no primeiro semestre de 2019 foram documentados 72 casos de tortura no país, entre eles o do politólogo luso-descendente Vasco da Costa.

Venezuela: Documentados 72 casos de tortura no primeiro semestre
Notícias ao Minuto

23:08 - 17/07/19 por Lusa

Mundo Tamara Suju

"Foram documentados 72 casos de tortura no primeiro semestre deste ano", disse, em Washington, durante a sessão do Conselho Permanente da Organização de Estados Americanos.

Tamara Suju, que também é diretora do Instituto Checo dos Direitos Humanos (Casla), que faz investigação sobre a América Latina, denunciou ainda a situação de saúde do politólogo luso-descendente e dos resultados dos seus exames, divulgados hoje pela família.

"Vasco da Costa, um dos presos políticos que tem sido vítima de torturas sistemáticas durante anos, foi diagnosticado com um carcinoma no olho, consequência de todas as torturas e tratos cruéis", disse.

A advogada recordou que o luso-venezuelano beneficia de medidas cautelares de proteção da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e exigiu que seja libertado.

Entretanto, contactada pela Agência Lusa, Ana Maria da Costa, irmã do politólogo luso-descendente, enviou uma cópia dos resultados da biópsia onde se lê o diagnóstico de "carcinoma de células escamosas, moderadamente diferenciado" e recomenda-se um tratamento com mitomicina tópica ou interferon.

Por outro lado, Tamara Suju, denunciou que as torturas se têm intensificado na Venezuela também no âmbito das forças militares, ao longo de 2019, à medida que aumenta o descontentamento dentro das Forças Armadas Venezuelanas.

"Temos observado como, à medida que aumenta o descontentamento militar, aumenta a pressão e as torturas nas cadeias do país", disse.

Segundo Suju, são também cada vez mais frequentes os ataques dos organismos de segurança do regime, que têm chegado ao extremo de entrar violentamente em hospitais e igrejas.

"Os ataques dos corpos de segurança chegaram até hospitais e igrejas. Apenas este ano, o Instituto Casla documentou 72 casos de tortura no primeiro semestre deste ano. Perto de 55% dos torturados foram oficiais militares", frisou.

As torturas, disse, não se detiveram apesar da presença no país da Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que visitou recentemente o país, e como exemplo referiu a morte do capitão Acosta Arévalo em detenção.

"O capitão Acosta Arévalo estava a ser torturado ainda com a presença da Alta Comissária no país", frisou.

Vasco da Costa, de 60 anos, foi detido na sua casa em abril de 2018 por agentes do SEBIN (serviços secretos da Venezuela).

Segundo Ana Maria da Costa, o seu irmão "foi torturado em abril e maio do ano passado" na prisão militar de Santa Ana e depois começou a queixar-se de que "o olho lhe doía e que estava sempre vermelho".

A situação levou a que em junho último Ana Maria pedisse "auxílio" a vários organismos internacionais para que o irmão fosse levado ao médico para tratar de "um tumor no olho esquerdo" que está em perigo de perder.

"Aqui [na Venezuela] os presos políticos são abandonados nas cadeias e as doenças consomem-nos", disse na altura à Agência Lusa.

Filho de um antigo cônsul de Portugal em Caracas, Vasco da Costa já tinha estado detido entre julho de 2014 e outubro de 2017.

Vasco da Costa define-se como "contrarrevolucionário, conservador e anticomunista", faz parte do Movimento Nacionalista Venezuelano e do partido Nova Ordem Social, liderado pela lusodescendente Venezuela Portuguesa da Silva, atualmente radicada em Espanha.

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