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Nigeriana discute família e poder da beleza em livro candidato a prémio

A escritora nigeriana Oyinkan Braithwaite, semifinalista do prémio literário Booker, com o romance "Minha Irmã, a Serial Killer", disse à Lusa que seu livro retrata relações familiares e o poder social da imagem, embora o título sugira um 'policial'.

Nigeriana discute família e poder da beleza em livro candidato a prémio
Notícias ao Minuto

10:52 - 19/08/19 por Lusa

Cultura Escritora

"A parte mais importante da história são as duas mulheres, a relação entre as duas irmãs, como elas estão inseridas na sociedade e como a sociedade se relaciona com elas", disse Oyinkan Braithwaite, em entrevista exclusiva à Lusa, durante a Festa Literária do Pelourinho (Flipelô), realizada em Salvador, no Brasil.

"Uma coisa importante para mim, quando estava escrevendo esta história, era pensar sobre a aparência física e como ela afeta a maneira como as pessoas se relacionam e interagem. Como isto muda o que você é e como isto dá forma ao que você é", acrescentou Oyinkan Braithwaite.

Durante o processo de escrita, a autora não pensou sobre o género da narrativa, mas sim no que precisava de fazer para contar a história que queria contar, acrescentou.

"Não é um 'thriller' policial (...). Simplesmente fiz o que parecia certo para mim e para a história. Depois de o livro já estar publicado é que vieram os comentários [sobre qual seria o género literário]", afirmou.

Ambientado em Lagos, na Nigéria, 'My Sister, the Serial Killer'/'Minha Irmã, a Serial Killer' (título com que foi publicado no Brasil) conta a história de duas irmãs com temperamentos e atitudes muito diferentes, numa narrativa ácida, cheia de suspense e drama.

Korede, a irmã mais velha, é pragmática e amargurada, já Ayoola, a irmã mais nova, é uma mulher muito bonita descrita como a filha favorita da família, que mata os seus namorados.

Uma característica marcante da obra é a estrutura narrativa com capítulos extremamente curtos, que podem conter apenas duas frases, alternando com outros mais longos.

"Escrevi cada capítulo em um documento separado do 'word' [processador de texto] (...). O livro tem uma estrutura em que os capítulos são quase independentes, ou seja, funcionam no todo que se tornou o romance e, também, separadamente", explicou a autora.

"Como admiti que [o livro] não seria publicado, pude fazer qualquer coisa sem me preocupar. Olhando em retrospectiva, posso não ter esta liberdade de novo", ponderou.

Questionada sobre o facto de o seu romance de estreia já ter sido nomeado para vários prémios e publicado em português (no Brasil), Oyinkan Braithwaite disse estar surpreendida com o interesse que a obra despertou.

"Toda a tradução, sempre que eu recebo uma oferta para [fazer uma] tradução, fico sempre surpreendida, satisfeita e honrada. É maravilhoso ter o livro traduzido numa língua que você não fala", contou.

"Publicar para leitores de culturas totalmente diferentes e países aos quais nunca fui, que apreciam o trabalho e que querem partilhá-lo com outras pessoas é um sentimento incrível", completou.

A escritora foi convidada da Festa Literária do Pelourinho (Flipelô), realizada em Salvador, Bahia, no Brasil, de 07 a 11 deste mês.

Oyinkan Braithwaite nasceu em 1988, em Lagos, na Nigéria, formou-se em Londres, na Kingston University, e 'Minha Irmã, a Serial Killer' é o seu romance de estreia, depois de ter escrito contos, para diferentes publicações.

Em 2016, foi uma das finalistas do prémio do Conto da Commonwealth e, em 2014, foi incluída entre os dez mais influentes autores no 'Eko Poetry Slam'.

Este ano, 'My Sister, the Serial Killer' venceu o prémio de melhor 'thriller' do Los Angeles Times.

Editado pela Kapulana, no Brasil, o romance ainda não está publicado em Portugal, mas já teve os direitos de adaptação para cinema adquiridos pela produtora Working Title, do Reino Unido.

'Minha Irmã, a Serial Killer' está entre os 13 romances semifinalistas do prémio literário Booker, que deverá anunciar a sua lista curta, de finalistas, na próxima semana, dia 03 de setembro. O romance vencedor será conhecido em 14 de outubro, em Londres.

Com um valor monetário de 55.760 mil euros, o prémio literário Booker foi criado em 1969 e é atribuído a autores de qualquer nacionalidade, desde que tenham escrito uma obra em língua inglesa e e esta tenha sido publicada no Reino Unido.

Em 2018, o Booker foi atribuído a 'Milkman', da escritora irlandesa Anna Burns.

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